Teleprompter para iPhone, sem app para instalar
Leia para a câmera do iPhone com o roteiro na altura dos olhos. Onde o celular fica na horizontal, como dimensionar o texto e o que fazer quando cai uma ligação.
Onde o celular fica
O celular tem que acabar ao lado da lente, mais ou menos na altura dos seus próprios olhos. Na mão ele fica baixo, e ler da mão aponta os seus olhos para o seu peito durante o take inteiro. Esse olhar para baixo é justamente o que um teleprompter existe para eliminar, então um celular segurado no colo elimina o motivo de usar um.
Um segundo tripé com uma garra para celular é a resposta arrumada. Uma pilha de livros ao lado da câmera é a resposta que a maioria dos takes de fato recebe, e ninguém que assiste ao vídeo pronto consegue dizer qual das duas você usou. O que importa é o ângulo que os seus olhos percorrem entre a lente e a primeira palavra de uma linha. Mantenha esse ângulo pequeno e você para de parecer alguém lendo.
Um arranjo não funciona de jeito nenhum: filmar na câmera frontal do celular com o roteiro rolando na mesma tela. O app de câmera está na frente. Use um segundo aparelho para o roteiro, ou grave numa câmera e deixe o celular para a leitura.
Horizontal ou vertical
A horizontal dá um palco largo e baixo: linhas compridas, e poucas delas à vista. A vertical dá uma coluna estreita, mais linhas de uma vez e um celular que fica mais alto ao lado da câmera.
Nenhuma das duas está errada, mas quem decide qual se lê bem é o comprimento da linha. Uma linha que ocupa a largura inteira de um celular na horizontal faz os seus olhos atravessarem a tela e voltarem, e essa travessia aparece na câmera como um pulo do olhar. Aumente o tamanho do texto até as linhas quebrarem depois de sete ou oito palavras e a maior parte do pulo some. No celular, o controle de tamanho é principalmente um controle de comprimento de linha.
A barra de endereço não move a linha de leitura
O palco ocupa uma fração fixa da tela, medida contra a altura que a página tem com as barras do próprio navegador à mostra. A linha de leitura fica atravessada no meio dele e os controles ficam ao longo da borda de baixo, então nenhum dos dois se desloca quando a barra de endereço some e volta.
Os controles estão ancorados ao palco e não à página, que é por isso que você consegue mudar a velocidade no meio do take sem rolar nada.
Tamanho do texto contra a distância em que você vai ficar
O tamanho do texto vai de 24 a 96 e começa em 44, que serve para um celular a cerca de um braço de distância. Ajuste lendo, e não pelo número: ponha o celular onde ele vai estar durante o take, fique de pé onde você vai ficar, aperte Reproduzir e leia um parágrafo em voz alta. Depois mova o controle dois ou três passos e leia de novo.
A faixa que funciona num celular é mais estreita do que parece. Grande demais e você fica com três palavras por linha, a rolagem vira uma piscada e você perde qualquer noção do que vem pela frente. Pequeno demais e você aperta os olhos, o que a câmera capta mesmo quando as palavras estão tecnicamente legíveis.
Começando um take com um polegar só
Reproduzir dispara uma contagem regressiva de três segundos e depois a rolagem. Apertar Reproduzir de novo durante a contagem cancela, que é o botão que você quer quando alguém entra na sala no dois. A contagem em si dá para desligar na barra de controles quando você já está no nono take e cansado de esperar por ela.
Voltar ao início manda o roteiro de volta para o topo e para. Depois de uma linha estragada, isso é um toque, em vez de arrastar o texto de volta com a ponta do dedo e chutar onde fica o topo.
Também existe uma chavinha para a faixa que marca a linha de leitura. Num notebook ela é um marcador útil. Num palco baixo na horizontal ela toma uma fatia real da altura, e algumas pessoas leem melhor sem ela.
A barra de espaço, o M e o F são atalhos de teclado, então só aparecem se você tiver um teclado conectado. Tudo o que eles fazem tem um botão na barra de controles.
Levando o seu próprio roteiro para o celular
Escrever um roteiro com o polegar é sofrido, então a maioria das pessoas escreve em outro lugar e leva para lá. Mande por e-mail para você mesmo, ou ponha numa nota que sincroniza. A gente não sincroniza para você: o seu roteiro mora no navegador do aparelho em que você digitou, e essa é a mesma decisão de não fazer upload dele.
Para colar no celular, toque na caixa de roteiro e use o menu de colar. Dentro da caixa, colar se comporta como em qualquer campo de texto, então o texto cai onde está o cursor em vez de substituir o que já está lá. Selecione tudo antes se a ideia é substituir o roteiro inteiro.
O que quer que você acabe tendo é gravado no armazenamento deste navegador enquanto você digita. Sobrevive a fechar a aba, mas não a limpar os dados de navegação, então guarde o original em algum lugar se o roteiro é importante.
Espelho, e quando você quer ele de verdade
O controle de espelho inverte o roteiro da esquerda para a direita. Só o roteiro inverte, então a barra de controles continua no sentido certo e os controles seguem legíveis quando as palavras estão ao contrário.
Há uma ocasião para ligar: o celular está deitado com a tela para cima debaixo de um beam splitter e você está lendo o reflexo dele no vidro. Existem montagens pequenas de beam splitter feitas em torno de um celular, e elas põem o texto bem no eixo da lente, que é o melhor que a linha do olhar consegue ficar. A montagem está na página do modo espelho. Se nada estiver refletindo a tela, deixe o espelho desligado.
Quando o take é interrompido
Uma ligação, uma tela bloqueada ou uma troca para outro app no meio do take é normal, e o roteiro volta: ele está no armazenamento do navegador, então está lá quando você volta para a aba.
A posição dentro do roteiro não é guardada. Se a aba recarregar, você começa do topo, que é o que voltar ao início faz de qualquer jeito. Antes de um take longo, vale ligar o Não Perturbe e dar à tela um bloqueio automático longo o bastante para cobrir o roteiro inteiro, porque uma tela que dorme aos dois minutos encerra o take por você.
Acompanhamento por voz num iPhone
O acompanhamento por voz escuta enquanto você lê e move o roteiro para acompanhar, e para onde vai o áudio depende do navegador. Navegadores que conseguem rodar o reconhecimento de fala no aparelho mantêm o áudio ali. Safari e iOS não conseguem hoje, então entregam o áudio ao fabricante do navegador para transcrição, sob os termos desse fabricante. A chavinha na barra de controles diz em qual caminho você está antes de você ligar qualquer coisa, e de um jeito ou de outro a gente não recebe nem guarda o seu áudio. Os detalhes estão na página do acompanhamento por voz.
Lendo bem numa tela pequena
Um celular mostra menos linhas que qualquer outra tela que você possa usar, então você tem menos aviso do que vem pela frente. Isso muda como o roteiro deve ser escrito, mais do que como ele deve ser lido.
- Deixe os parágrafos com duas ou três frases. No celular, um parágrafo longo chega como um paredão e não deixa onde pousar.
- Quebre onde você respira. Uma linha em branco é um lugar para levantar os olhos.
- Ponha a frase que você não pode errar no começo de um parágrafo, onde você vai ver ela chegando.
- Leia tudo uma vez na velocidade que você definiu antes de gravar qualquer coisa.
A página do iPad cobre o mesmo trabalho numa tela maior, e a página do YouTube cobre a estruturação da gravação em si. O teleprompter está na página inicial.